Estava lá eu, de joelhos, implorando para meu professor de matemática me dar o meio ponto que eu preciso para passar de ano. Mas espere aí, tem algo errado! Eu JÁ passei de ano! Que maluquice! Então, meu celular começa a tocar. E eu acordo. Ah, claro, um sonho. Não tinha ninguém me ligando, era só o despertador.
10h, hora de acordar! E, surpresa, hoje é dia 24! A primeira coisa que eu vou fazer ´algo que eu deveria ter feito há um mês, mas é claro que eu só lembrei hoje: escolher uma roupa. Abro o guarda-roupa e vejo ele lotado, claro, tudo bagunçado. Mas, obviamente, NADA serve para eu usar essa noite. O-ôu, hora de usar o charme. Me arrasto até a cozinha com minha melhor cara de "sou-uma-pobre-coitada" e abraço minha mãe, desejando-lhe bom dia. Sento para tomar o meu café da manhã. Normalmente é nessa hora que ela percebe que eu estou lá por algum motivo. A razão? Eu nunca tomo café da manhã. No máximo, um copo d'água. Quando tomo, ou estou com MUITA fome, porque não jantei no dia anterior. Ou estou enrolando, claro.
- O que você quer? - Ela me perguntou, sem tirar os olhos da massa de biscoitos natalinos. Minha mãe é tipo uma quituteira-artista-multi-uso. Ela faz de tudo! E, adivinhem, em casa! Assim, ela está SEMPRE de olho no que eu faço. Um saco.
- Sabe, hoje, quando abri meu armário - comecei -, não encontrei NENHUMA roupa para usar.. E, sabe como é, a gente podia ir até lá ambaixo comprar uma coisa nova pra mim. Sabe, nas lojas aqui de baixo. Lojas de bairro, sempre abertas...
- Nenhuma roupa? E .. todo o seu guarda-roupa? Vai com aquele vestidinho... - Tentou argumentar ela.
- Ah, mãe, eu usei ele no aniversário da Rê! Por favor? - Eu implorei, mas essa hora ela estava estressada, porque seja lá o que fosse que ela estava fazendo não tava dando certo.
- Bom, pergunta pro seu pai - ela disse, me dispensando total.
- Mas ele está trabalhando! - Eu inventei uma desculpa. (Não ia colar, eu podia ligar pra ele a hora que eu quisesse e quantas vezes eu quisesse. É, é duro ter pai dono do comércio. Você sempre tem que ligar pra ele pra dar recados!) É que, na verdade, odeio falar no telefone pra qualquer coisa além de fofocar. Até marcar encontros prefiro pela internet.
- Liga do mesmo jeito, diz que eu quero falar com ele. - Ela disse, agora desviando os olhos para a TV, onde alguém que eu não conhecia cantava uma música que eu não conhecia. Hello, eu nem ao menos conhecia o canal!
- Tá, você fala com ele sobre a roupa - disse eu, já com o celular no ouvido. - Alô, oi Ângela! Aqui é a Lola, posso falar com o meu pai?
- Espere um minutinho - disse Ângela, uma das funcionárias. Passou-se alguns segundos e ouvi a voz de meu pai - Alô.
- Oi, pai, tudo bem? Minha mãe quer falar com você um pouquinho, espera aí - disse entregando o celular para ela e saindo da cozinha. Cheguei na sala e vi que estava entediada. Aí, peguei um livro qualquer.
Duas horas depois já o havia acabado. Também, um livro teen de trezentas e poucas páginas.. Ok, tédio. Absolutamente NADA pra fazer! Então, minha mãe manda eu embalar os presentes que estão faltando. Ai, caramba, ainda são meio-dia e meia! MAs, com as minhas super-habilidades em embalagens, demorei duas horas para embalar uma meia-dúzia de presentes. Que ficaram um lixo. Mas pelo menos eu fiz laços. Aí, fui "almoçar". Peguei um pacote de batatas fritas e fui pra frente da TV, e comecei a assistir algum programa lixo enquanto fazia palavras cruzadas.
E minha tarde se passou assim, esse lixo. Até que chegou seis da tarde, e meu pai chegou em casa. Vai começar a diversão!
***
- Eu gostei do verde - dizia relutante à minha mãe e à vendedora, que tentavam me empurrar um vestido roxo que fazia eu parecer que acabei de sair do convento. - No máximo, o branquinho - disse. Meu pai fora até sei lá aonde para comprar um presente faltante para sei lá quem.
- Mas o roxo ficou tão bonito em você.. - Dizia a vendedora, até eu lançar um olhar de "garota chata" que fez ela se calar.
- Olha, faz o que você quiser - disse minha mãe se estressando e se dirigindo até o trocador, para provar um vestido que ela tinha gostado. - Escolhe alguma coisa pra sua irmã - disse ela enquanto passava por mim. Escolhi uma bata linda, mas que serviria na boa de vestido.
Meu pai chegou, me entregou umas três sacolas e perguntou pela minha mãe, e eu disse que ela estava experimentando umas roupas. Quando ela voltou, eles começaram a escolher presentes para os entes. E eu, super interessada, fui olhar as meias-calças, à procura de uma legal e que combinasse com o vestido. Nada. Beleza, podia passar sem meia-calça colorida, isso não ia me matar.
- Vamos - disse minha mãe, finalmente, uma hora e meia de novo. Nessa altura, estava morrendo de sono, e queria mais que tudo ir para casa.
- A gente vai pra casa? - Eu perguntei, como quem não quer nada. E minha cabeça pareceu trabalhar em velocidade da luz, de repente: - Mãe! Eu não tenho UM sapato que combine com meu vestido!
- E aquelas sandalinhas de plástico? - Perguntou ela. Santa Ignorância. "Melissa, mãe" corrigi-a mentalmente.
- Não quero usar salto hoje. Quero uma sapatilha - disse, fazendo um biquinho pro meu pai. Sim, sou a filhinha do papai! E é claro, ele entrou na loja e comprou pra mim uma sapatilha prata, linda!
Enfim, cheguei em casa, fui tomar banho e me arrumei. Na hora de decidir o perfume, optei pelo que minha madrinha já tinha me dado de natal, uma semana antes.
Enfim, chegara a hora! E põe todos os presentes no carro, e vamos até a casa sa minha tia! Dez horas da noite, e eu quase com sono. Chegando lá, a cena típica. Meu tio vendo jogo numa TV, meu primo jogando video-game na outra, meu outro primo já tinha aberto todos os presentes, por que ele é um mimado do cacete e nunca tem de esperar como eu tinha, pelo Papai Noel, minha tia brincando com meu primo e minha prima esparramada no sofá, dormindo, quase babando. Que agradável! Aí, uma hora depois, meus avós ceiam. E acordam minha prima, e lá vamos nós ceiar!
Mas, o quê! Minha prima quer abrir os presentes antes da ceia. Então, esperamos até meia noite para abrir os presentes. Até lá, foi como se me disessem: "Curta seu tédio, nós que somos adultos vamos beber!" ou "Curta seu tédio! nós, que somos crianças, vamos fazer barulho na sua cabeça, até você ter vontade de explodir tudo!". E eu, como menor-de-idade-não-criança-não-viciada-em-video-game, fique lá sem fazer nada uma hora. Até que FINALMENTE dá meia noite, todos se abraçam, e a garera vai abrir os presentes.
Pronto, abriram?
Agora, vamos ceiar? Porque quanto mais cedo começarmos, mais cedo acabamos e mais cedo eu vou poder ir pra casa!
Mas, é claro, ainda tem a oração.
Demos as mãos em volta da mesa, alguém lá agradeceu pelo ano e tudo o mais. Agradeceu para Deus. E começaram a rezar. E eu me peguei pensando "até quando eu vou ter que fazer isso?". Ok, eu ADORO o natal! Enfeites, luzes, presentes! Mas, por isso, não pelo nascimento do menino Jesus, simplesmente porque não acredito em Deus, Adão e Eva, Jesus. Parece improvável que um cara morra e volte três dias depois vivinho da silva! Ou então, que dois seres humanos dêem vida para todos os que existem hoje, de todas as suas etnias. Aí, alguns anos depois, um velhote recolhe dois animais de cada espécie e deixa o resto do mundo se afogar. E então, tadã, seis milhões de habitantes provém...? Bom, que seja, nenhuma das palavras que eu disse lá foram verdadeiras. Pelo menos, não muito. (editando dois anos depois: eu NÃO SEI se deus existe. talvez sim. talvez nao. mas voltem pro meu conto de natal:)
E aí, depois da ceia, adivinha?! Brincar com os brinquedos novos dos priminhos! E sente-se no chão, recorte e dobre um milhão de fitinhas para trançar sei lá o quê, e depois recorta sei lá mais o que para fazer adesivo, e então mais fitinhas, e mais "pinta meu cabelo?" com um coisinho de plástico (eu não notei nenhuma mudança na cor, embora ela tenha dito que ficou rosa), e aí "brinca de carrinho comigo" e "brinca de moon sand comigo" e tudo o mais! E aí, eu to REALMENTE chateada, e começo a encher pra vir embora. E, quando chego, ainda tenho que abrir o portão debaixo da chuva. E, ta-dã, acaba meu dia!
Vai ver, é por isso que eu amo o natal.
Feliz natal à todos, e espero que seu dia tenha sido igualzinho ao meu, para saber que não fui só eu que sofri!
quarta-feira, 24 de dezembro de 2008
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